Preciso, rapidamente, de te encontrar. Revejo as fotos arquivadas, uma atrás de outra e… encontro-te. Amplio para ver cada pormenor. Calibro as cores, aumento a luminosidade, ajusto o contraste, acerto os níveis até ficar o mais real possível. Fico paralisada a olhar um conjunto de pixeis, sem vida, que, por vezes, parecem que me olham… mas não reagem.
Sorrio ansiada por um olhar cúmplice. Em vão. Leio os textos que escrevi só para ti, em voz alta, e não sinto o olhar humedecer. Passo a mão no ecrã, e não consigo sentir os cabelos entre os meus dedos. Acaricio-te a cara e não vejo esses olhos esconderem-se no seu refúgio, onde a realidade é a que imaginamos. Fico a olhar para ti, na esperança que mordas o lábio, tentando controlar o desejo que te invade. Mas nada. Nada.
Continuas ali, estática, imóvel… linda! Continuas ali… ausente!
Fico a contemplar a imagem que invade as minhas noites e se apossa de todos os meus sonhos.
A tua ausência sufoca-me, sabias?
Paro de te olhar e vou á janela.
Preciso de sentir o ar gélido da noite e imaginar que, onde quer que estejas, também me procuras.
Fecho os olhos e quando os volto a abrir, reparo que foi tudo uma mentira, que acabou e que eu continuo ali, a chorar, a espera que voltes e me dês uma segunda oportunidade.
Afinal, és tudo para mim.