21 de dezembro de 2010

palavras soltas.

Falei sem medos, voltei a pronunciar a minha dor. Um arrepio percorreu - me a coluna e as lágrimas tentaram sair, a custo, dos meus magoados olhos.
Qual espelho da alma? Nunca transpareceram o meu amor, o meu infinito silêncio.
Sempre foram uma espécie de algemas da verdade, algo que eu nunca pude destruir.
Não sei quantos anos me restam de prisão.
O meu coração é uma farda de um prisoneiro, não tem cor.
Eu sou uma criminosa de mentiras, estou a cumprir a minha pena. As mentiras apoderaram - se de mim com uma rapidez impressionante.
São como droga. Utilizo - as para me esconder, para acalmar a dor, para me conseguir ver ao espelho e, de vez em quando, para sorrir.
Tento demonstrar um sorriso no meio de uma multidão que está aprisionada á felicidade ( meu deus, quem me dera ) e eu a uma tristeza perdida.
Sou uma humana rodeada de palavras imaginárias, de pesadelos, de silêncios, de gritos mudos, de lágrimas.
Sou uma palavra com erros ortográficos. Sou uma prisioneira numa cela.