Sou um livro no qual tu ditas todos os teus pecados dados na procura obscura dessa verdade incerta e inconsciente. Grito pela minha ausência nas memórias que rediges sem pudor. Memorias essas monótonas que pouco a pouco rasgam o meu peito, cicatrizes infinitas. Tu torces as palavras, deixas correr o sangue, rasto da minha dor, rasto da procura da tua alma. Mas tu continuas escrevendo, fugindo das linhas do teu ser orgulhoso, que nunca concretizou o desejo de te trazer para a minha realidade. Então eu grito, no silencio de ti, escondendo e mostrando os meus sentimentos, alimentando-me do amor que me vai matando, vivendo á minha maneira, respirando-te. Sou um livro íntimo de sensações memorialistas, no qual não te serve rascunhos, nem falsos riscos. Tu rasgas cada página no momento em que fixas o teu olhar em mim, tu rasgas o meu coração ao dizeres que nunca serás meu.