25 de abril de 2011

castigo

Posso evitar mil coisas, até as mais ínfimas, mas não consigo impedir que me envolvas na tua capa - semelhante à dos príncipes das histórias de crianças - e me leves debaixo da tua asa, até ao teu velho castelo encantado.
Chego a ficar enraivecida, desejo arduamente mudar o meu código genético e apaixonar-me por um aldeão qualquer, alguém que não tu. Espeto as unhas na carne até a dor lancinante me arrepiar a espinha e deixo que te afastes de mim, recostando-me na parede mais fria - a mais distante de ti.
É como se fosses o pecado no meu paraíso, o assaltante do meu lar com que eu houvera sonhado em noites e eu te desejasse tanto, a ponto do meu corpo não reagir aos impulsos do cérebro.
Não devias brincar assim comigo, começo a ficar exausta destes sonhos alucinantes que me trazes, as minhas pernas cedem ao movimento, sinto-me incapacitada de lutar pela vida, a real. Devias deixar esse manto em que te escondes e dares a cara, ofereceres o corpo à palmatória e deixar que a vida se encarregue de te dar o castigo que mereces. Algo semelhante a isto que me trazes, a este calvário a que me sujeitas, sempre que surges do nada e eu não sou capaz de te dizer que não.